20 de ago de 2009

Evangélicos sem igreja - Parte final

CARÁTER CRISTÃO

A cientista social Renata Éboli, convertida há 24 anos, enxerga a vida cristã como um caminho de aperfeiçoamento constante, e por isso não espera uma igreja “ideal”. Ela assinala que as fragilidades e limitações pessoais de cada crente são determinantes para a composição do Corpo de Cristo. “Mas sinto falta de uma igreja missionária e intercessora, de uma igreja que não só se alegre com os que se alegram, mas que sofra com os que sofrem”, confessa.

Obreira de uma missão na capital paulista, Renata gostaria de ver um maior envolvimento da igreja livre com o sofrimento da igreja perseguida, “pois a perseguição diz respeito a todos os cristãos e não é uma realidade apartada de nós”. Como outra preocupação, Renata cita o tema da ética. “Sinto falta também de uma igreja empenhada em formar o caráter de seus membros, ensinando a prática da ética cristã genuína”, conclui.

A anglicana Gaynor Smith sente falta de uma igreja mais participativa na sociedade e questiona: “Por que tanta violência, se nas grandes cidades tem tantos crentes? Por que a sociedade não é transformada?” Seu diagnóstico é que a igreja brasileira está acomodada, omissa, pouco misericordiosa e preocupada apenas com seus problemas.

Trabalhadora da área social, Gaynor sente falta de uma maior presença dos evangélicos no asfalto, nas comunidades faveladas e da solidariedade das igrejas locais com os deficientes: “Quantas igrejas têm rampas? Quantas têm tradução do sermão para a linguagem de sinais? E campanhas para adquirir cadeiras de rodas, quantas fazem? Mas qualquer campanha que traz benefício próprio atrai multidões”.

A Igreja de Cristo deve intervir onde puder, pensa Gaynor, inclusive na questão do aquecimento global: “Como evangélicos, devemos fazer a nossa parte em tudo, primeiro com intercessão e, depois, com uma ação integrada e transformadora. Mas se nas reuniões de oração das igrejas só aparecem cinco por cento dos membros, como sair do lugar?”, questiona.

Para o reverendo presbiteriano Éber Lenz César, por maiores que sejam as fraquezas e os defeitos que se possam encontrar, “a Igreja ainda é a noiva do Senhor e caminha ao encontro do Noivo buscando se aperfeiçoar sobre o tripé santificação, comunhão e missão”. Ele conclui citando a carta aos Efésios: “Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela para a santificar. Assim como Ele amou, nós também devemos amar a nossa igreja e nos santificarmos para que ela possa ser melhor a cada dia”.

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